
Lançamento do jornalista Manoel Soares e do escritor Marco Cena, o livro Os Escudeiros da Luz em Os Zumbis da Pedra foi apresentado agora à tarde no Território das Escolas. Na mesa, estiveram presentes ainda os desenhistas Dango Costa e Paulo Daniel Santos. Lançamento da editora Besouro Box em parceria com a Central Única de Favelas (Cufa), o livro se apresenta como instrumento pedagógico de combate à epidemia do crack. Na plateia, alunos e professores das escolas Professora Judite Macedo Araújo, Ludovico Faitten, Rubem Dario, Fábio Alves e do projeto Asteróide, que fizeram perguntas sobre o processo de criação do livro, sobre o contato dos autores com a realidade das favelas e com as possibilidades de engajamento nessa luta contra as drogas.
Vestido de acordo com o personagem do livro, Manoel Soares afirmou que se sente feliz em estar encampando essa luta, mas não pretende centralizar o tema na sua pessoa, sendo a única referência para o assunto. “Não sou o escudeiro da luz, apenas represento a personificação desta ideia. Meu objetivo é que cada um encontre o escudeiro que tem dentro de si e faça o que estiver ao seu alcance”, disse Manoel. O jornalista contou que, apesar do livro fazer uma referência sutil ao consumo do crack, sua fórmula literária pode ser aplicada ao combate de qualquer outra droga ainda pior que possa surgir e tornar-se epidemia. Ao apresentar um vídeo da campanha “Crack nem pensar”, encampada pela RBS, onde atua como repórter, Manoel deu alguns dados sobre os efeitos do consumo da droga. “Crack é o nome do barulho que a pedra faz na hora do consumo. O seu efeito demora 12 segundos para chegar ao cérebro. É uma droga muito mais potente que a cocaína, e além da degradação neurológica, traz problemas fisiológicos também. Uma pedra de crack tem, em média, 240 mg. Cada usuário costuma fumar em torno de cinco pedras por dia. Se no Rio Grande do Sul nós temos cerca de 55 mil usuários, são cerca de 275 mil pedras por dia, o que representa 68 kg por dia, 2 toneladas ao mês e 24 toneladas de crack ao ano”, contou Soares.
Batendo à porta - Além de estar associada ao consumo de maconha e à violência, a epidemia atinge também centenas de mulheres e meninas grávidas, que geram crianças viciadas desde o nascimento. “O escudeiro da luz sintetiza o esforço e a luta de diversos atores, como os movimentos de hip hop, os responsáveis pela alas psiquiátricas de hospitais, o Ministério Público. Hoje, iniciamos uma nova etapa do movimento contra as drogas”.
Apesar do tema ser pesado, o escritor Marco Cena afirma que o livro é “leve, lúdico e divertido, e tem um cunho esclarecedor”. Para ele, se apenas uma pessoa, após a leitura do livro, decidir abdicar do consumo da pedra ou abandonar o vício, sua missão já estará cumprida. Ele destacou ainda a necessidade das pessoas abandonarem o hábito de gradear as suas casas e colocar alarmes, como tentativa de prevenção ao crime. “É preciso enxergar além. Por que há tanta gente fazendo campanha antitabaco e ninguém se dá conta que o crack está batendo as nossas portas todos os dias?”, questiona.
Os ilustradores também deram sua contribuição, falando sobre a importância do agir coletivo nessa causa. “A ilustração ganha força quando está sendo acompanhada de um texto forte e de conteúdo transformador”, disse Dango Costa. Para Paulo Santos, a questão é agir por um esforço coletivo. “Com a literatura, a experiência e a arte, vamos passar esse trabalho adiante. É mais difícil quebrar vários bambus do que um só. Por isso, nos unimos”, concluiu.
Foto: Rômulo Valente
acesso em: 4 de nov. de 2009.